segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

O grande e singelo aparecimento...

... quanto tempo você espera para que um sonho se concretize? Uns abandonam os sonhos assim que se defrontam com problemas. Outros têm os sonhos mais arraigados dentro de si, mas, quando atravessam o vale das frustrações, os enterram com lágrimas. João (precursor), esperou três décadas para que seu sonho se concretizasse. Quantas noites frias, desencantos e momentos de angústia não teria experimentado. Trinta anos de calor, poeira e sequidão não o fizeram desanimar. 
João amava quem não conhecia. Em meio a tantas expectativas, uma dúvida surgiu: como identificá-lo quando ele se aproximar? Virá como um grande rei, com uma imponente comitiva? Suas vestes serão tecidas com fios de ouro para contrastar com as vestes do seu precursor?
As semanas se passavam, e a multidão aumentava nas margens do jordão. Inquietos, alguns se perguntavam: "Será que João está alucinado?"
Um dia apareceu discretamente um homem. Parecia mais um entre milhares. Nada o diferenciava dos demais. Suas vestes eram comuns, não vinha acomanhado de uma escolta. Seus movimentos eram delicados e não revelavam o poder de um rei, mas a fineza de um poeta. Não chamava a atenção de ninguém, seria mais um sedento para ouvir as palavras eloquentes do homem do deserto.
Mas esse homem foi abrindo espaço na multidão. Tocava os ombros das pessoas e pedia licença com um sorriso. Sutilmente foi se aproximando. Não podia ser o Messias proclamado por João, pois em nada parecia com a imagem que as pessoas fizeram dele no incosciente. Esperavam alguém supra-humano, mas aquele era tão normal. Esperavam um homem com o sempblante de um rei, mas seu rosto era queimado do sol e suas mãos, castigadas por trabalho árduo.
Ele continuou se aproximando. Não havia poder em seu gestos, mas doçura em seus olhos. O homem incumbido de mudar o destino da humanidade escondia-se na pele de um carpinteiro. NUNCA ALGUÉM TÃO GRANDE  SE FEZ TÃO PEQUENO PARA TORNAR GRANDES OS PEQUENOS.
Com os joelhos encobertos pela águas do rio, João mais uma vez discursava sobre a pessoa mais poderosa da terra. Não sabia que ele estava vindo ao seu concontro. Subitamente, uma clareira se abriu na multidão. O homem dos sonhos de João apareceu, mas ninguém notou. Então, os olhares se cruzaram. João ficou petrificado. Interrompeu o discuros. Nada no aspecto externo daquele homem indicava quem ele era, mas, de alguma forma, João sabia que era ele. Seus olhos comtemplaram atenta e embevecidamente Jesus de Nazaré.
Os olhos de João devem ter se enchido de lágrimas. Tantos anos se passaram e tantas noites mal dormidas aguardando um único homem aparecer. Agora, ele estava ali, real, diabte dele, enchendo sua alma de esperança.
Sim!! Não apenas os miseráveis precisam de esperança, mas também felizes, pois seus dias igualmente findarão e nunca mais verão as pessoas que amam, nem as flores dos campos, nem ouvirão os cantos dos pássaros.
A vida, por mais longa que seja, transcorre dentro de um pequeno parêntese do tempo. Todos os mortais precisam de esperança. A esperança era o nutriente interior de João. Só isso explica por que, sendo tão cheio de talentos, trocara o conforno social pela secura do deserto.
(trecho retirado do livro "O Mestre Inesquecível" - Augusto Cury)

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